Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Vereador suspeita de caixa 2 na campanha do prefeito santista

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-03-30 -00:54

 Vereador suspeita de caixa 2 na campanha do prefeito santista

A operação Lava Jato continua estendendo seus tentáculos além de Brasília e a temida planilha de repasses financeiros à políticos por parte da empreiteira Odebrecht chegou à Baixada Santista relacionando cinco políticos da Baixada Santista, entre eles o de Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), prefeito da cidade de Santos, considerada a capital da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Com base nessa lista, o vereador santista Evaldo Stanislau (Rede) - foto - protocolou nesta segunda-feira (28), uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral, visando a apuração de possível caixa 2 na campanha do prefeito Paulo Alexandre Barbosa, nas eleições municipais de 2012.

Na representação, de oito laudas e mais 13 documentos anexos, o vereador Evaldo pede que seja apurado se o atual prefeito santista, durante as eleições de 2012, infringiu o artigo 350 da Lei 4.737/65, omitindo ou falsificando declaração à Justiça Eleitoral. Além disso, o parlamentar também aponta o possível desrespeito ao artigo 22 da Lei 9.504/97, segundo o qual a conta bancária da candidatura deve registrar todo movimento financeiro da campanha.

Para o parlamentar, o que chama atenção é que, apesar da referência de possível doação de R$ 600 mil à campanha de Paulo Alexandre, não há, nas contas apresentadas à Justiça Eleitoral, indicação de qualquer entrada oficial de recursos oriundos de repasses da empreiteira.

“Há indícios que precisam ser devidamente apurados. E, caso sejam comprovadas irregularidades, o prefeito Paulo Alexandre sofrer as sanções legais, entre elas a cassação de seus direitos políticos, tornando-o inelegível”, enfatiza o vereador Stanislau, que, durante manifestação no plenário da Câmara Municipal, recordou outras situações  que considera mal explicadas, envolvendo o atual chefe do Executivo, desde a época em que era secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

 Na lista da Odebrecht apreendida pela Polícia Federal na 23ª fase da operação Lava Jato, apresenta o nome de mais de 200 deputados, senadores, prefeitos, governadores, além de agremiações políticas de 18 partidos. Com relação à Baixada Santista, além do nome do prefeito santista Paulo Alexandre Barbosa, estão os do deputado federal Beto Mansur (PRB), da prefeita de Cubatão Marcia Rosa (PT), da ex-prefeita de Santos *Telma de Souza (PT) e do prefeiturável santista nas eleições de 2012 Sérgio Aquino (PMDB).  

*O nome da ex-prefeita Telma de Souza aparece riscado, em uma lista escrita à mão. O nome dos demais citados está em planilhas elaboradas em computador. 

Não receberam – Dos cinco citados, apenas o deputado Beto Mansur admitiu por meio de sua Assessoria que recebeu a doação que consta da prestação de contas apresentada, aprovada e divulgada no site do Tribunal Regional Eleitoral/SP desde 2012.

Em nota, o Diretório Municipal do PSDB em Santos esclarece que a campanha do prefeito Paulo Alexandre Barbosa em 2012 não recebeu doações da Odebrecht e que a campanha contabilizou repasses financeiros de diretórios estadual e nacional do PSDB, declarados na prestação de contas feita ao TSE e mais, que contas da campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Concluindo, o partido ressaltou que a Odebrecht não realizou obra pública e nunca manteve contrato com a Prefeitura na atual gestão.

A coordenação da campanha de reeleição da prefeita Marcia Rosa também informou que não recebeu doações da empresa e que as contas da eleição de 2012 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

A ex-prefeita Telma de Souza esclareceu que não recebeu contribuição da Odebrecht, e que a inclusão de seu nome em uma lista supostamente elaborada por empresa investigada é injustificada e gravemente equivocada.

O prefeiturável Sérgio Aquino também nega ter recebido qualquer repasse da empresa para sua campanha em 2012, ressaltando que os doadores de sua campanha constam da prestação de contas aprovada pelo TSE.

Já o deputado Beto Mansur, por meio de sua assessoria, afirmou que não existe nenhuma novidade na informação da empresa, visto que as doações de campanha são públicas e constam da prestação de contas apresentada, aprovada e divulgada no site do Tribunal Regional Eleitoral/SP desde 2012. E mais, que a doação foi solicitada por ele e que a Odebrecht fez o repasse por meio do diretório nacional do partido.

(Foto/Divulgação: o vereador Evaldo Stanislau em seu pronunciamento na Câmara)