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Poliana Okimoto conquista o bronze para o Brasil, após performance emocionante

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-08-16 -12:26

Poliana Okimoto conquista o bronze para o Brasil, após performance emocionante

Poliana Okimoto, do Brasil, subiu ao pódio com a medalha de bronze na manhã desta segunda-feira (15), após uma prova emocionante na Rio 16. Ela havia terminado em quarto lugar,  depois de nadar um bom tempo em terceiro, nos minutos finais.

A prova já havia terminado quando veio a notícia: a francesa Aurelie Muller, que tinha ficado em segundo lugar, foi punida e eliminada da competição, com a justificativa de que havia feito uma manobra ilegal, ao dar uma braçada na italiana Rachele Bruni.

Com essa decisão, a brasileira ficou com o bronze, ao completar a prova com 1h5651s4. A holandesa Sharon Van Rouwendaal terminou em primeiro e a prata ficou com a italiana Rachele Bruni, que havia chegado em terceiro lugar.

"Me chamaram de velha, desacreditaram de mim e mais uma vez eu dei a volta por cima", comemorou Poliana Okimoto.

" Eu não estava acreditando, a gente treina tanto, espera por esse momento e, quando chega, não acredita. Dediquei tantos anos para a natação e, sem falsa modéstia, eu merecia essa medalha. Quero agradecer às pessoas que me ajudaram, profissionais que trabalham comigo, meu técnico. Deus é brasileiro, deixou a água com temperatura boa. Na última volta não consegui me alimentar, no fim estava morta, mas foi muito bom, experiência única."

Ricardo Cintra, técnico e marido de Poliana Okimoto, descreveu o bronze como a concretização de um sonho.  "É a realização de um sonho, ela lutou muito, são 13 anos em busca deste sonho. Espero que o pessoal em casa procure saber da história da Poliana no esporte, que é muito bonita,  um exemplo para todos os atletas. Foi a primeira campeã mundial, primeira em 10 km e faltava esta medalha, graças a Deus conseguiu ser pioneira também na Olimpíada para fechar (carreira) com chave de ouro."

Em Londres 2012, Poliana Okimoto  precisou desistiu da prova  devido a uma hiportemia. Em Pequim 2008, ficou em sétimo lugar.

A disputa maior ocorreu entre o segundo e o terceiro lugares. Poliana Okimoto ficou bem próximo das adversárias, chegando 1 segundo e 9 milésimos após a italiana. "Com o quarto lugar era difícil de aceitar,  porque dei tudo de mim. Estava satisfeita, fiz uma excelente prova, estava muito feliz então por ter dado meu máximo. Mas quando soube do terceiro lugar foi a concretização do sonho. Deus é brasileiro", afirmou a atleta.

A baiana Ana Marcela Cunha terminou com 1h57m29s, em 10º lugar. Liderou em alguns momentos a prova, mas acabou ficando para trás.

Ana Marcela-  "Estou triste, lógico", disse Ana Marcela. "São 200 milhões apoiando a gente, mas o País fez história, a Poliana está no pódio. Eu estou triste por minha colocação, mas sei que fiz o máximo. A posição não é digna pelas pessoas que estão ao meu lado. Nadei sete quilômetros e meio sem me alimentar e isso conta muito", explicou.

Márcio Latuf, técnico da nadadora,  lamentou um acidente no segundo posto de alimentação da maratona aquática, segundo  ele decisivo para o resultado da baiana. "Ela não conseguiu se alimentar no segundo posto, a gente baixou a vara e ela perdeu a garrafa e, sem alimentação, perdeu força para buscar um bom resultado. Isso interferiu no planejamento físico".

FINAL (10km): 1º Sharon Van Rouwendaal - 1h56min32s1 / 2º Rachele Bruni - 1h56min49s5 / 3º Poliana Okimoto - BRASIL - 1h56min51s4 / 10º Ana Marcela Cunha - BRASIL - 1h57min29s0

 

Superação, força de vontade e competência de Poliana Okimoto conquistam o pódio para o Brasil

 

"O Brasil e a Maratona mereceram este pódio. Sem falta modéstia, mereci muito esta medalha", afirmou Poliana Okimoto,  entre lágrimas.

Poliana Okimoto, que quando era menina tinha medo de nadar no mar, após a premiação no pódio não conteve a emoção e o choro, ao conversar com os jornalistas sobre a medalha de bronze na Maratona : "Estou olhando para a medalha e não estou nem acreditando. A gente treinou tanto, esperou tanto por esse momento, e,  quando o momento chega,  a gente não acredita. Parece que demora para cair a ficha. Mas eu dediquei tantos anos à natação, para a natação. Eu,  sem falsa modéstia, mereci muito essa medalha".

"Eu construí essa medalha em cada dia, em cada treino, então foi muito merecido, continuou a maratonista, entre lágrimas de alegria. Quero só agradecer aos meus patrocinadores, às pessoas que me ajudaram, aos profissionais que trabalham comigo, meu técnico, minha família, sem eles nada disso seria possível".

Volta por cima - Em Londres 2012, Poliana Okimoto chegou a abandonar a prova por hipotermia. Ficou muito decepcionada, mas depois fez um ciclo olímpico extraordinário, vencendo várias etapas. Com a medalha de bronze nas mãos, Poliana falou sobre o que representa essa volta por cima, para hoje ter o melhor resultado na história da natação feminina brasileira numa olimpíada.

"Londres foi uma experiência muito difícil para mim e esse ano eu tentei deixar um pouco de lado isso, porque tinha muita previsão de a água poder estar fria e o mar estar mexido, então eu tentei esquecer isso. A minha psicóloga Regina Brandão me ajudou muito a esquecer o passado e a pensar no futuro, pensar no presente e fazer o hoje. Eu treinei em água fria, me preparei para água fria, quente, mar mexido. Hoje eu estava preparada para qualquer tipo de mar que tivesse aqui em Copacabana".

Mais calma, completou: "Mas Deus é brasileiro e Ele deixou o mar tranquilo com uma temperatura de água boa. Consegui fazer a melhor prova da minha vida. Eu estava muito consciente e muito concentrada do que tinha que fazer. Na última volta não consegui me alimentar e fui com coragem e disse pra mim mesma: estou bem preparada, não vai ser isso que vai me fazer falta e, no fim, eu já estava morta, mas mesmo assim, no sprint final eu consegui ter um gás e foi muito bom. É uma experiência única".

"Sou chorona", admitiu a maratonista à imprensa. "Meu marido suspendeu a vida dele para me treinar", acrescentou a atleta,  com os olhos lacrimejando. "Uma hora estava na cola da holandesa e,  se parasse, poderia afunilar tudo, fiquei 5 km sem me alimentar para conseguir", continuou Poliana.


Sobre Ana Marcela, a outra brasileira na prova e que terminou na décima colocação, Poliana explicou: "A pressão estava toda nela, não em mim, e talvez ela tenha sentido um pouco".

 

Mais de 30 anos de investimento pesado na natação e o desempenho da atleta explicam medalha de Poliana, diz Marcelo Teixeira

 

O investimento no esporte, aliado à educação, resultou na medalha de bronze e o destaque da Universidade, ao inscrever as duas únicas maratonistas brasileiras selecionadas para as Olimpíadas.

Em entrevistas publicadas nos principais jornais do País, Marcelo Teixeira, Pró-Reitor da Universidade Santa Cecília (Unisanta), creditou a medalha de bronze conquista por Poliana Okimoto à performance da maratonista e ao investimento maciço da Unisanta no esporte.

"É um investimento calcado na educação. Dificilmente você encontra uma universidade que faz um trabalho como esse. Acho que também nós temos uma estrela brilhando, que é a Renata Agondi, que plantou sementes e lutou tanto para que tudo isso acontecesse".

Teixeira se referia à Renata Agondi, desaparecida em1988 aos 25 anos de idade, quando participava de uma travessia no Canal da Mancha. "Eu tenho a certeza e a convicção de que onde ela (Renata) estiver estará sempre a guiar os nossos passos e caminhos. Ela que foi uma grande atleta também. Construiu a sua história e passou um legado para todas essas gerações que estão vindo".

Os que acompanham as atividades  do Complexo Educacional Santa Cecília sabem que a Instituição iniciou seu trabalho na natação organizando maratonas e travessias a nível municipal e depois, em caráter nacional, "até abrir o calendário nacional da Federação Internacional de Natação (FINA)", acrescentou Marcelo Teixeira.

"Trouxemos os principais atletas para o Brasil. Isso despertou, naturalmente, na Poliana, na Ana Marcela e em tantas outras e outros atletas que estão vindo com essa safra, o interesse pelo esporte, dignificando o nome da natação brasileira".

Duas atletas - Inscrever duas atletas, as duas únicas representantes do Brasil e da Cidade de Santos foi uma estratégia e uma benção de Deus, segundo o Pró-Reitor. "É um momento único, que a Cidade deve comemorar bastante, um feito diante de tantas dificuldades e diante do nível técnico da competição, onde você tem dez, doze atletas de grande nível técnico. A Poliana e a Ana Marcela estão de parabéns".

Sobre a desclassificação da atleta francesa que permitiu o bronze para Poliana Okimoto, Marcelo Teixeira enfatizou que a disciplina é fundamental na maratona aquática. "A atleta francesa infringiu muito as regras, principalmente na chegada, obstruindo e prejudicando a maratonista que vinha junto com ela. Graças a Deus foi uma medalha histórica e merecida".

"A Poliana lutou bastante com o Cintra (o técnico Ricardo Cintra). É uma medalha conquistada com muita garra e muita luta. É praticamente a última Olimpíada da Poliana. A Ana Marcela ainda terá mais duas ou três Olimpíadas pela frente", concluiu o Pró-Reitor.

Crédito / Fotos: Assessoria de Comunicação Unisanta