Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Imóveis desvalorizados e IPTU cada vez mais caro

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-12-06 -13:03

Imóveis desvalorizados e IPTU cada vez mais caro

No primeiro ano de seu governo o prefeito Paulo Alexandre Barbosa determinou a revisão da planta genérica de valores dos imóveis de Santos, sob o argumento de que os lançamentos para efeito de cobrança do IPTU estavam defasados, ante a grande valorização imobiliária. Santos ainda sonhava em ser a Dubai brasileira, com sonhos megalomaníacos impulsionados sobre a falácia do pré-sal que encareceu a vida na Cidade e expulsou muitos santistas para Praia Grande e Mongaguá, isso ainda no governo de João Paulo Tavares Papa.

Pois bem. Na onda da Santos próspera os valores dos imóveis foram aumentados em mais de 100%. Mas o prefeito, e os prefeitos sempre são generosos com o povo, não aplicou os 100% do aumento na cobrança do IPTU para 2014. Lançou 12%, ficando com uma reserva técnica para ir amortizando ao longo dos anos.

Mas o sonho de prosperidade virou pesadelo. A Cidade da Petrobras que seria erguida no Valongo conta com um único prédio. Os projetos para as demais torres da estatal do petróleo foram abortados, ao mesmo tempo em que a população estarrecida ia se dando conta da roubalheira na Petrobras, que se revelaria nas investigações da Operação Lava Jato.

A Dubai brasileira se transformou em um canteiro de obras inacabadas e vivenda para legiões de moradores de rua, que estão em todos os cantos, desde os jardins da praia que já foram cuidados em extremado zelo e hoje também estão abandonados, até marquises de lojas e até mesmo sob as entradas de prédios do Judiciário.

Lamentavelmente esta é a ‘pujança’ de Santos, uma cidade deteriorada, e agora cortada por trilhos de um transporte (VLT), que vai do nada a lugar nenhum, e cujo trecho já em operação, de São Vicente ao José Menino, roda praticamente vazio pois a tarifa é cara.

Mas estávamos falando de imóveis. E que não mais ostentam os valores da explosão imobiliária. Todos foram depreciados. Esta é a lógica do mercado. Economia estagnada incide diretamente na redução de bens de capital imobilizado.

Mas não é a lógica da Prefeitura de Santos. Se o fato gerador do IPTU é o valor do imóvel por que o tributo não foi reduzido, já para este exercício findo, e também para o exercício do próximo ano. Sobre o tema o prefeito se cala, os vereadores não questionam e dizem amém às ordens emanadas do Paço, e a população paga calada.

Este é o retrato de Santos, de outrora pujante, questionadora, revolucionária, reduzida a uma comuna amorfa, apática, patética.

*Eraldo Santos – advogado e jornalista