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“Desafios administrativos e políticos”

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2017-01-27 -00:02

“Desafios administrativos e políticos”

Vereador em terceiro mandato, o radialista e publicitário Adilson dos Santos Júnior (PTB), novo presidente da Câmara Municipal de Santos, tem a expectativa de harmonizar não apenas os poderes Legislativo e Executivo (tarefa relativamente fácil pois a maioria da Câmara é partidária da Administração), mas principalmente, o Legislativo e a população (tarefa difícil, diante da descrença dos cidadãos para com a classe política).

 Tenho na presidência da Câmara, dois grandes desafios: um administrativo e outro político. Sei que não são fáceis de serem vencidos, mas junto com os demais colegas que formam a Mesa Diretora da Câmara, tentaremos superar os obstáculos”, diz  Adilson Jr, de 36 anos, evangélico (aos domingos frequenta dois cultos), residente na Zona Noroeste, onde em sua trajetória política amarga duas grandes frustrações: a não conclusão do Programa Santos Novos Tempos, através do qual a Prefeitura, desde a gestão Papa, anunciava o fim das enchentes na Zona Noroeste e o Projeto CEU das Artes (Centro de Artes e Esportes Unificados), um programa do Ministério da Cultura em parceria com as prefeituras para levar cultura, esporte e lazer aos bairros. Esse último parou em função da falta de repasse de verba por parte do Governo Federal.

Desafios – O primeiro grande desafio administrativo do presidente Adilson Jr. envolve a questão do Castelinho, sede do Legislativo. Prédio tombado com anexo moderno, desde 2011, quando foi ocupado pela Câmara já apresentava carência de espaço: não tinha lugar para o arquivo, razão pela qual o Legislativo paga, mensalmente                R$ 15.867,00, em aluguel de imóvel para arquivar o grande e crescente volume de papel gerado na Casa. “Estamos estudando como realocar em ambiente virtual toda essa produção, mas independentemente disso, temos que manter o arquivo físico”.

Outra questão é a TV Legislativa que desde 2012, tem sido colocada pela Casa como prioridade e hoje corre o risco de perder a concessão do canal ainda não implantado.    A transmissão das sessões da Câmara de Santos acontecem por dedicação e capacidade dos funcionários, porque ainda trabalhamos com equipamentos ultrapassados, adquiridos em 2006, pelo então presidente do Legislativo, Paulo Gomes Barbosa (falecido). Ocorre que para equipar a Câmara com a TV Legislativa há todo um processo com custos, inclusive de manutenção e trabalhista pois precisamos contratar equipe que inclui jornalista e outros profissionais. E hoje, há um clamor público por economia, razão pela qual a palavra de ordem é enxugar a máquina, por isso estamos revendo contratos, chefias, etc... para criar um ponto de equilíbrio financeiro.”

 Adilson Jr confirmou que o maior Legislativo da região não tem uma estrutura de Comunicação adequada e o que tem só opera graças aos funcionários. Além disso, o presidente ressalta que a estrutura dos gabinetes dos vereadores, hoje 21, também está obsoleta: computadores ultrapassados, “sem contar que os vereadores caso necessitem se deslocar para atender aos munícipes, precisam usar seus próprios veículos, lembrando que a Cidade tem área continental, longe da parte insular” reclama o presidente.

Apesar da penúria financeira relacionada pelo vereador presidente, Adilson Jr., no final de 2016, a Câmara devolveu à Prefeitura, R$ 24 milhões, o que corresponde a 28% do orçamento do Legislativo daquele ano. É paradoxal a questão de prioridades da Casa, principalmente quando alega que as condições de funcionamento dos gabinetes são precárias. E pensar que, segundo informações, no primeiro dia de trabalho como presidente do legislativo, o novo presidente não encontrou dinheiro em caixa sequer para comprar um necessário cadeado.

 Subserviência - Em função da restrita bancada de oposição ao prefeito, a Câmara tem sido chamada de subserviente, pois não são poucas as medidas adotadas pela Prefeitura, que sem muita discussão são aprovadas pelos vereadores aliados à Administração, mas o presidente Adilson Jr. contesta este posicionamento das ruas. “A Câmara não é subserviente, ela procura ser harmoniosa e respeitosa com o poder executivo em prol da Cidade. A posição sobre projetos da Prefeitura é de cada parlamentar e a Câmara assume a posição da maioria. A oposição pode e deve contribuir com suas propostas e é isso que promove o equilíbrio necessário para as tomadas de decisões”, concluiu Adilson Jr. que já foi oposição (branda) na Casa, quando em sua primeira legislatura, integrava o PT.

Casa do povo - Por entender que a Câmara é literalmente a Casa do Povo, Adilson garante que vai se empenhar para trazer os munícipes às galerias para acompanhar as sessões e participar das audiências. “Meu sonho é ver o povo na Câmara, pautando suas reivindicações e aqui é o local adequado para isso. Ainda não defini estratégia para isso, mas junto com meus colegas de Mesa e de plenário vamos trabalhar essa questão”.

Esse, com certeza será um grande desafio, pois a população descrente da atuação política em defesa dos interesses dos cidadãos, tem comparecido na esmagadora maioria das vezes, para protestar. Os munícipes, em geral comparecem à Câmara, quando há mobilização por parte do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (nesse caso o servidor público), uma ou outra manifestação e em algumas audiências públicas. Nas duas últimas situações o público tem sido sempre aquém do esperado pelos organizadores.

Frustração - O presidente da Câmara, Adilson Jr., realmente precisa encontrar uma forma de trazer a população para a Casa, principalmente porque tem sido cobrado por sua base eleitoral pela interrupção de programas que ele apoiou, botou fé e levou às ruas, como o fim das enchentes na Zona Noroeste.

Uma das razões para o vereador Adilson dos Santos Júnior ter entrado na política, foi segundo ele, a expectativa de contribuir para melhorar as condições de moradia da população da Zona Noroeste, sonho que não conseguiu ver concretizado e ao que parece, ainda muito distante.

“Desde muito pequeno via o sofrimento dos meus pais, devido as enchentes que inundavam e continuam inundando as casas no Jardim Castelo. Via meu pai chegar em casa do trabalho todo molhado de água da chuva e da enchente. Ele entrava dentro da nossa casa e continuava pisando n’água. Eleito vereador, após minha segunda campanha eleitoral, o governo municipal anunciava o Programa Santos Novos Tempo. Fiquei feliz e muito esperançoso, pois o objetivo maior do programa era a eliminação das enchentes. Mais ainda porque o programa começava pela rua em que moram meus pais (a primeira etapa do programa incluiu os bairros Castelo, Rádio Clube e Saboó). Por uma série de razões, o programa vem se arrastando e os moradores desses e de outros bairros da Zona Noroeste continuam sofrendo com as enchentes”.

Morador na Zona Noroeste, Adilson Jr. é muito cobrado pela população local que esperavam, mesmo sabendo que a implantação do Programa Santos Novos Tempos seria demorada, que as obras avançassem para acabar com as enchentes. O programa anunciado pelo ex-prefeito João Paulo Tavares Papa e iniciado no primeiro governo de Paulo Alexandre Barbosa, envolvendo uma série de políticas públicas com a promessa de eliminar enchentes, implantação da macrodrenagem na região, substituir palafitas por novas moradias, entre outras ações.

O Banco Mundial não renovou o financiamento do programa e na sequência terminou   o  contrato firmado entre a Prefeitura e o consórcio Santos Novos Tempos, para a construção de estações elevatórias, comportas, galerias, canais e travessias para a água da chuva que transborda na Zona Noroeste. Nem 30% da principal obra, a macrodrenagem foi concluída. A Prefeitura alegou que o programa não avançou mais porque foram identificados erros de cálculo e pediu que fossem refeitas planilhas de custos e especificações para a construção das galerias nos bairros, informando que uma sindicância foi aberta para apurar as responsabilidades.

O presidente Adilson Jr. que está readministrando seu tempo para não perder o contato com a base eleitoral, porque sabe que na presidência do Legislativo o tempo passa a ser exíguo pois tem que se dividir entre administrar a Casa, o que lhe tomará a maior parte do dia “...tem tanta coisa por conhecer, aprender, decidir com os colegas da Mesa Diretora, executar outras tantas, dar continuidade ao trabalho de vereador que exige que eu esteja junto à população e minha vida particular que não pode parar. O tempo já está ficando cada vez mais curto, mas os desafios fazem parte da vida e precisamos encará-los e resolvê-los”, disse o presidente do Legislativo santista que voltou à vida acadêmica. Ingressou na Faculdade de Direito para ter maior conhecimento do processo administrativo de uma Casa de Leis. (Fotos: Eddie Gomes)