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Temporal alaga Baixada Santista

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2017-03-18 -22:03

Temporal alaga Baixada Santista

 

A chuva que atinge a Baixada Santista desde a tarde de ontem, sexta-feira (17), acentuada com o temporal dessa tarde de sábado, continua causando transtornos aos moradores da região.

O forte temporal deste sábado (18), ratificou mais uma vez a precariedade dos municípios da Baixada Santista que a cada ano se apresentam mais vulneráveis. A região registrou deslizamentos de terra, queda de árvores e outros danos materiais. As nove cidades da Baixada foram afetadas e vários bairros ficaram totalmente alagados e muitas pessoas ficaram ilhadas.

Não teve um município da Baixada Santista que não tenha sido afetado pelas fortes chuvas desta tarde. Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá, Cubatão e Bertioga registraram problemas.

Santos neste sábado (18), a forte chuva começou mais cedo que o habitual. Por volta das 11 horas já demonstrava que cairia com mais intensidade e desencadearia os velhos e conhecidos problemas de grande parte da população: alagamentos, interrupção no trânsito. Inundação em casas, etc... etc... Ao final do dia, por volta das 18h, a Defesa Civil informou que foi registrado um acumulado de 260,4 mm de chuva nas últimas 72 horas. Esclarecendo que a média prevista para o mês de março é de 280 mm e que do início do mês até hoje (sábado, 18), foram registrados 319 mm. Já em fevereiro, a quantidade de chuva acumulada foi de 307,7 mm.

Santos - A Defesa Civil registrou deslizamentos de terra na Rua 1 do Morro da Boa Vista; no Morro do São Bento, ao lado do Cefas; no Caminho das Pedras, no Morro do Tetéu, na Vila Vitória; na Rua Pedro Borges Gonçalves, no Caminho Monsenhor Moreira e na Subida da Rua Tiro Naval, ambos no Monte Serrat e no Caminho Particular São Jorge, no Morro da Caneleira. Houve queda de um muro de arrimo na rua 2 do Marapé.

A Av. Nossa Senhora de Fátima ficou alagada e intransitável nos dois sentidos. O mesmo acontecendo (por tempo menor) na entrada da cidade pela praia – divisa com São Vicente. A Zona Noroeste para a qual o projeto ‘Santos Novos Tempos’ anunciado e iniciado ainda no governo Papa, tem como objetivo principal o fim das enchentes nessa região, registrou, mais uma vez, maior número de alagamentos, com vários bairros afetados e casas invadidas pelas águas.

As principais vias da cidade se tornaram, em grande quantidade, intransitáveis para veículos, mesmo os mais altos (ônibus) e aos pedestres, um grande desavio. Quem se aventurava a atravessar alguns trechos da Av. Pedro Lessa, por exemplo, o fazia com água acima do joelho.

Alagamento democrático – Nos últimos anos observa-se em Santos o aumento dos alagamentos durante as chuvas. Não precisa chover forte e nem coincidir maré alta com chuvisco para canais transbordarem e ruas ficarem alagadas e isso não é privilégio de áreas mais baixas ao nível do mar. A Rua Nascimento, via de uma quadra apenas, entre as Av. Epitácio Pessoa e Av. Bartolomeu de Gusmão, no Embaré é um exemplo disso. Nos últimos anos passou a engrossar a lista das vias que ficam total ou parcialmente submersas durante os temporais.

Durante o temporal deste sábado, mais uma vez ela ficou alagada e com metade de sua extensão debaixo d’água, alagando garagens. Impressionante a força da água que vertia pelos ralos dos quintais e acessos de prédios e residências. Quando um veículo passava pela via, as ondas formadas levavam a água para entrada das moradias.

A dificuldade para passar a pé pela Rua Nascimento durante o temporal era agravada para as pessoas com mais idade e certa dificuldade de locomoção, que precisaram de ajuda para ultrapassar a rua entre a Av. Epitácio Pessoa até a altura da Igreja Santo Antônio do Embaré, trecho visivelmente mais alto da rua.

Para Ildo Schnaider, residente nessa via, há 16 anos “alagamentos como consequência das fortes chuvas e da falta de obras de infraestrutura adequadas e até básicas, como verificação de bueiros, resultam nisso, independentemente do valor do IPTU cobrado. Quando falta atenção básica o alagamento torna-se democrático em qualquer local”.

Para uma jovem professora residente na mesma rua e que prefere não se identificar, um dos grandes problemas das ruas alagadas é o risco à saúde pública. Ela que atravessou o trecho em água das Rua Nascimento, no meio da tarde desse sábado diz: “Tive que desviar de sacos de lixo, fraldas, pedaços de madeira e garrafas pets não só aqui na Rua Nascimento, mas na Av. Pedro Lessa, onde o trânsito ficou parado. Tive que vir a pé porque o transporte coletivo parou. As ruas estão sujas e tem morador que colabora com essa sujeira, colocando saco de lixo junto aos portões fora do horário. A enxurrada acontece e com ela todo tipo de sujeira toma conta das ruas, não esquecendo que essa área (entorno da Igreja do Embaré), há muito se tornou passarela para ratos, que não raro emergem dos bueiros em plena luz do dia”.

Bertioga – Nesse município, um dos bairros mais afetados foi o Caiubura, onde crianças de uma escola precisaram da ajuda de um ônibus para chegarem em casa. A UPA do bairro também ficou alagada, mas o atendimento de urgência e emergência não foi afetado. 

Cubatão - Além de várias ruas permanecerem alagadas, um desmoronamento de barranco interditou a Rodovia Cônego Domênico Rangoni na altura do KM 255, no sentido Cubatão - Guarujá. Na Rodovia Anchieta formou-se uma fila de caminhões que aguardam para entrar na Av. Nossa Senhora de Fátima em Santos, aumentando o isolamento de alguns bairros.

Guarujá - Várias ruas ficaram alagadas e muita gente ficou por horas sem condição para chegar às suas residências.

São Vicente - Além dos vários pontos de alagamentos que complicaram o trânsito em diferentes bairros do município, a água subiu em trechos como a Ponte Mário Covas e avenidas Senador Salgado Filho, Capitão Luís Pimenta e alguns trechos da Presidente Wilson e várias ruas do Itararé. As ruas do Centro também ficaram alagadas e na Casa do Barão, sede do Instituto Histórico e Geográfico, na Rua Frei Gaspar, 280, bem próximo à Prefeitura, houve queda de árvore.

Mongaguá – A Prefeitura de Mongaguá informou que nas últimas 24 horas, a chuva ultrapassou os 250 mm e que a forte chuva desse sábado, causou alagamentos em diversos bairros como Centro, Vila Atlântica, Jussara e Agenor de Campos.

Itanhaém - Teve vários pontos de alagamento na cidade.

Peruíbe – A Prefeitura através da Assessoria de Imprensa, informou que foram registrados alagamentos apenas nas ruas mais baixas. (Fotos: Divulgação)

 

Na foto de abertura, Av. Nossa Senhora de Fátima alagada e foto da matéria, equipe da Prefeitura de Santos nas ruas)