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Estudo acadêmico da Unesp aponta exploração dos estivadores

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2017-06-02 -02:55

 Estudo acadêmico da Unesp aponta exploração dos estivadores

 

As seguidas leis de modernização dos portos e as novas tecnologias causaram
perda do poder sindical e, consequentemente, diminuição dos postos de
trabalho, além de queda salarial.

A conclusão faz parte de estudo de Thiago Pereira de Barros, mestre em
Geografia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente
Prudente. Publicado em 30 de maio na revista ‘Portos e Navios Marintec’, o estudo, com

apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp),
revela que o porto de Santos tem 4.200 estivadores.

A pesquisa, segundo a revista, focou o processo de modernização dos portos,
desde 1980, e suas consequências para os estivadores que atuam em Santos. O pesquisador constatou aumento das áreas entregues à iniciativa privada e

alteração na forma de organização e distribuição do trabalho, com expressiva
perda salarial e queda de emprego.

Exploração - A introdução de novas tecnologias e a multifuncionalidade reduziram o quadro de trabalhadores, com aumento da produção e crescimento da exploração da mão
de obra a favor dos lucros. O levantamento do geógrafo Thiago de Barros aponta ainda a precarização do trabalhado e suas implicações negativas na saúde dos estivadores e demais portuários.


Para o professor e orientador da pesquisa, Marcelo Dornelis Carvalhal, da
coordenadoria do curso de Geografia da Unesp de Ourinhos, os trabalhadores
não foram consultados no processo.
“Em uma conjuntura marcada por reformas trabalhistas e sindicais, sem
participação dos trabalhadores, a pesquisa investiga a diversidade de
contratações no âmbito portuário”, observa a revista.
O texto da publicação mostra que “os trabalhadores são sujeitos de sua
história, adaptando-se, por meio das formas de resistência, às ofensivas
patronais”.

Sindicato - Para o presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos e região, Rodnei

Oliveira da Silva ‘Nei’, o estudo“é de fundamental importância para que se
compreenda a exploração dos trabalhadores”.
“Sob o manto da modernidade, esconde-se uma cruel precarização de nossas
vidas, e consequentemente de nossas famílias, em benefício do lucro e da
concentração de riqueza”,
reclama o sindicalista. Nei acredita que “esse e outros levantamentos acadêmicos podem facilitar o
entendimento da realidade portuária por juízes que julgam nossas questões
coletivas”.
(Divulgação)