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Guarujá - estudantes pedem mudança do nome da Av. Leomil

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2017-11-10 -00:46

Guarujá - estudantes pedem mudança do nome da Av. Leomil

 Alunos do 5º ano da Escola Municipal Professora Myriam Terezinha Wichrowski Millbourn, no Jardim Boa Esperança, estiveram nesta quinta-feira (9), na Câmara Municipal, para fazer um pedido inédito ao presidente do legislativo, vereador Edilson Dias. Eles querem que o nome da Av. Leomil (um antigo feitor de escravos que morou na Cidade, no final do século 19), seja substituído para Av. 20 de Novembro - data que é comemorado o 'Dia da Consciência Negra'.

A mobilização resulta do projeto 'Se Essa Rua Fosse Minha', realizado este ano na escola, onde os alunos pesquisaram a história das personalidades que dão nomes às ruas de Guarujá. Foi daí que a turma descobriu que Valêncio Teixeira Leomil, apesar de ter conseguido a concessão da ligação férrea da Cidade, enriqueceu com apropriação de terras e comércio de escravos, além de ter assassinado um marinheiro inglês. 

"Os registros históricos contam que ele foi absolvido no julgamento, mas a comunidade não aceitou o fato, forçando-o o governo a pedir o seu exílio", conta a professora Ademara Aparecida Jesus Santos - uma das responsáveis pela iniciativa.

Abaixo-assinado - Ao tomarem conhecimento do fato, os estudantes decidiram promover um abaixo-assinado, solicitando a troca do nome da avenida. Mais de 300 assinaturas foram recolhidas e juntadas a um documento, que foi entregue ao presidente da Câmara.

No texto, os alunos destacam o Art. 1º da Lei Federal 12.781/2013, que diz que: "É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta". 

Uma das alunas presentes ao encontro ainda mencionou que, em Santos, foi iniciado um projeto que coloca nas placas dos logradouros, além do respectivo nome, o histórico do homenageado(a) ou o motivo da homenagem. "Já pensou colocar: Av. Leomil, feitor de escravos?", disse para reforçar a argumentação da turma.

Compromisso - O presidente da Câmara se comprometeu a discutir com os vereadores a reivindicação feita pelos estudantes. "Considero justo o pedido, mas temos que observar a Lei Orgânica Municipal, que prevê alguns trâmites para a mudança de nome de logradouro", ponderou ele, que elogiou a iniciativa dos alunos e, principalmente, o trabalho desenvolvido pela equipe educacional da EM Myriam Terezinha. "É bonito ver crianças lutando por cidadania e justiça. Racismo é crime e devemos combate-lo sempre", afirmou Edilson Dias.

Também participaram do encontro o vereador Rafael Vitiello; a orientadora pedagógica Glaucia Maria Santos Souza; e a orientadora educacional Silvana Pagetti  (Divulgação/CMG)