Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Abril pode começar com o porto parado

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2018-03-30 -01:46

Abril pode começar com o porto parado

 Tudo indica que, a partir de segunda-feira (2), seis categorias de trabalhadores avulsos do Porto de Santos paralisarão as atividades, por tempo indeterminado.

São os estivadores, operários portuários de capatazia, operadores de guindastes e empilhadeiras, consertadores, vigias de bordo e trabalhadores do bloco. Seus dirigentes e advogados ficaram decepcionados, na manhã desta quinta-feira (29), com a ausência do sindicato empresarial Sopesp e do Ogmo, em mesa redonda no escritório santista do Ministério do Trabalho (MP).

O Ogmo, órgão gestor de mão de obra, administrado pelos patrões, deve implantar a partir de segunda-feira, o intervalo de 11 horas entre as jornadas de trabalho. E esse será o motivo da paralisação. Os trabalhadores não são contra o descanso, mas querem que ele seja obrigatório apenas se tiverem garantia de excepcionalidades, trabalho e ganho após o intervalo.

O problema é que os avulsos, ao contrário dos empregados fixos de qualquer setor, ganham apenas quando têm trabalho disponível. E, muitas vezes, o descanso obrigatório os prejudica.

Intransigência - O descanso seria o tema da mesa redonda no Ministério do Trabalho. A medida seria aplicada pelo Ogmo no começo de março, mas foi adiada por um mês, até segunda-feira próxima (2 de abril). Foi adiada justamente na primeira mesa-redonda, onde compareceram Ogmo e Sopesp, que concordaram com o prazo solicitado pelos sindicatos.

“Descaso e intransigência”, reclama o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva. “Estamos todos indignados com a postura do Sopesp e Ogmo. Não respeitam os trabalhadores e nem o Ministério do Trabalho”, completa o presidente do sindicato dos operários de capatazia (Sintraport), Claudiomiro Machado ‘Miro’.

Queríamos um acordo para evitar a paralisação do porto. A medida, imposta de forma unilateral, prejudica os nossos ganhos e, por consequência, milhares de famílias”. Lamenta Nei da Estiva.

Miro, apesar de ter uma liminar que garante à sua categoria o não enquadramento no intervalo, garante que estará junto com os demais sindicatos no protesto.

Brasília - Nei e Miro estranham a intransigência do Sopesp e do Ogmo. Lembram que os operadores do cais público aceitam as excepcionalidades propostas pelos sindicatos para implantação do descanso.

Os dois irão a Brasília, no Ministério do Trabalho, buscar uma nota técnica, prometida na semana passada pelo ministro Helton Yomura, contra a implantação da medida sem as excepcionalidades.Eles defendem ainda que, no retorno ao cais, após o descanso, previsto em lei, haja garantia de trabalho ou de ganho pela média, conforme garantido na legislação.

A única possibilidade da paralisação não ocorrer, segundo as lideranças sindicais, depende do Ogmo e do Sopesp, ou seja, somente se o Ogmo desistir de implantar o descanso de 11 horas sem as excepcionalidades e o Sopesp voltar às negociações.

(Foto: Divulgação/Paulo Passos)