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Experimento da Engenharia simula rompimento da barragem de rejeitos

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2019-03-03 -00:17

Experimento da Engenharia simula rompimento da barragem de rejeitos

 Um mês após o rompimento da barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), o desastre contabiliza 130 pessoas desaparecidas e 180 mortos (até 26 de fevereiro). A tragédia traz ainda reflexos ambientais, como problemas no abastecimento de água em 16 municípios daquela região, devido à lama que alcançou o Rio Paraopeba em direção ao Rio São Francisco.

Professores do curso de Engenharia da Unaerp Guarujá realizaram recentemente um simulado no Centro Tecnológico da Universidade para explicar o que é uma barragem de rejeitos e entender a dinâmica desse desmoronamento. O exercício foi executado sob supervisão dos professores Willy Ank de Morais, engenheiro metalúrgico e mestre em Engenharia de Materiais e de Processos Químicos e Metalúrgicos, e do coordenador do curso, Marcio Tavares, doutorando em Engenharia e mestre em Engenharia Mecânica.

Durante a simulação, uma réplica de uma barragem a montante foi preparada na Bancada de Permeabilidade para mostrar o efeito do rompimento, como explica o coordenador Marcio Tavares. "Essa unidade experimental de permeabilidade de solos é usada em aulas práticas para análises de caracterização de solos e testes de permeabilidade. São usados também para ensaios de pressionamento de dispositivos de medição de vazão para vertedores e barragens, e permite visualizar do comportamento desses materiais quanto à distribuição de cargas que nelas foram depositadas." 

Segundo o professor Willy Ank de Morais, a região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, onde estão localizadas as cidades de Brumadinho e Mariana, é uma das maiores regiões produtoras de minério de ferro do País. Embora as características mineralógicas das duas cidades sejam semelhantes, os rejeitos das duas barragens que se romperam possuem composições diferentes.

"Os dois rejeitos são basicamente óxido de silício (quartzo), muito comum na crosta de nosso planeta, e com algumas particularidades. Porém, a grande diferença dos dois tipos de rejeitos é a granulometria, o diâmetro das partículas. No caso de Mariana, as partículas são extremamente finas, tendem a se sedimentar com muita facilidade, dificultando sua retirada da água. Já em Brumadinho, tendem a ser mais grosseiro. Mas o impacto ambiental, em ambos os casos, é brutal de toda forma” explicou o professor.

O docente, que é natural de Mariana (MG) mas reside na Baixada Santista, conhece a região e, após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, está desenvolvendo análises dos rejeitos de minério que atingiram o Rio Doce. Esses resultados têm sido objeto de produções científicas. (Divulgação/Unaerp Guarujá)