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Sindest recorre ao MP contra prefeitos da região

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2020-04-30 -01:56

                     Sindest recorre ao MP contra prefeitos da região

         O presidente Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, protocolou denúncia no Ministério Público Estadual, nesta quinta-feira (30), requerendo que os prefeitos da Baixada  Santista cumpram o decreto do governador João Dória (PSDB) de quarentena e isolamento social para contenção do novo coronavírus.

          Fábio Pimentel, argumenta que os servidores da Saúde têm o risco de contágio aumentado por causa da vinda de pacientes de outras cidades e reclama que nesses municípios, ao contrário de Santos, os prefeitos liberaram parcialmente o comércio, aumentando assim o número de pessoas nas ruas e a contaminação.

          Segundo o advogado do sindicato Luiz Gonzaga Faria, o Ministério Público poderá requerer à Justiça, como já aconteceu em alguns municípios de São Paulo e de outros estados, multa diária de R$ 100 mil, em caso de descumprimento. Ele cita os casos de Araçatuba e Sorocaba, no interior paulista. E alerta que pode haver até prisão dos prefeitos.

          Pimentel declara-se indignado com o prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), que liberou parcialmente as praias, para prática de surfe, e alguns setores do comércio que considera essenciais.

         “Onde já se viu? Que importância tem o surfe como atividade esportiva se até os campeonatos estaduais e brasileiro de futebol estão contidos. E que essencialidade têm as lojas de colchões, incluídas na liberação do prefeito? Quem paga por essa irresponsabilidade são os nossos servidores da saúde” questiona o indignado Fábio Pimentel.

         O sindicalista explica que 82% dos 151 leitos em unidades de terapia intensiva
(UTI’S) de Santos destinados a pacientes de coronavírus já estão praticamente ocupados com pacientes contaminados de Santos e de outras cidades da região.

         Fábio também não poupa críticas ao prefeito de Guarujá, Válter Suman (PSB), que a exemplo do colega vicentino liberou as praias e parte do comércio. “Esse tem o agravante de ser médico e se contrapor ao que recomendam as normas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Como esse profissional pode justificar sua irresponsabilidade?”.

          O presidente do Sindest pondera que, ao liberar as praias, os prefeitos de São Vicente e Guarujá atraem para a região turistas da capital paulista, onde está a maior concentração de vítimas da pandemia no Brasil. “Esses turistas certamente aumentarão o contágio em nossa região e os contaminados virão para os hospitais de Santos”.

          Irresponsabilidade  genocida- O sindicalista insiste que sua interpelação junto ao MP não tem viés político: “Trata-se da defesa dos nossos servidores da Saúde, que estão na linha de frente de combate à doença e onde já tivemos três óbitos. Não é justo que nossos profissionais e suas famílias paguem pela irresponsabilidade de prefeitos limítrofes”.

           Fábio critica ainda o prefeito de Cubatão, Ademário da Silva Oliveira (PSDB), que também liberou parcialmente o comércio. “Não é justo que Santos siga todas as normas internacionais de saúde, pagando o ônus do comércio fechado, e ainda assuma pacientes das outras cidades que relaxaram quanto ao decreto estadual”.

          O sindicalista esclarece não ter “nada contra os contaminados de fora serem
atendidos em Santos”. Mas acha que os prefeitos desses municípios “devem ser
responsabilizados judicialmente, inclusive com pena de prisão, pela
irresponsabilidade genocida de se colocar contra as normas básicas de contenção da doença”. (Divulgação)