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Na beleza dos jardins a exaltação ao Meio Ambiente

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2020-06-05 -00:13

             Na beleza dos jardins a exaltação ao Meio Ambiente

                Sexta-feira, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

          Nesta data, quando o mundo, através de ambientalistas e instituições diversas param para falar e/ou refletir sobre a saturação dos recursos naturais, erroneamente ainda considerados por muitos como inesgotáveis, a Beneficência Portuguesa de Santos segue seu curso.

            A quase esmagadora maioria das pessoas que diariamente atravessa seu imenso jardim para chegar ao interior do hospital em cujas áreas de acesso aos vários departamentos outros jardins a saúda, convidando-a à meditação, não se dá conta das boas vibrações que as plantas e árvores ali existentes emanam, chova ou faça sol.

         Independentemente de poucos perceberem sua importância (a maioria apenas admira a beleza), o conjunto de jardins da Beneficência, um dos pulmões verdes da área urbana de Santos, desenvolve a importantíssima função de melhorar a qualidade do ar, favorecendo a neutralização dos índices de carbono que tem aumentado assustadoramente devido ao uso intenso de combustíveis derivados do petróleo, do gás natural, etc... e muitos outros  poluentes.

             É quase impossível não ter o olhar desviado para o colorido das flores de plantas baixas e das que florescem no alto das copas de frondosas árvores, algumas quase centenárias e nativas da Mata Atlântica. Improvável não ouvir o canto dos pássaros e são mais de 30 espécies que se apropriam desses viridários cuidadosamente tratados. A revoada graciosamente anuncia o amanhecer e o anoitecer nesses jardins, numa sinfonia de sons e cantos característicos das diferentes espécies canoras.

         Em passado não muito distante, considerava os belos jardins da Beneficência Portuguesa, apenas contemplativos nos quais a distribuição das plantas no espaço, projetada há mais de 90 anos, é perfeita. Mas, passados alguns anos, observando o crescimento, o florescimento das espécies neles plantadas e o olhar das pessoas que em seus bancos e inadvertidamente, algumas vezes, em suas muretas sentam aguardando o desenrolar de tantas histórias de vida, temporariamente ali abrigadas para procedimentos médicos, exames, recuperação.                      

         Olhares apreensivos, distantes, chorosos, esperançosos contemplando as diferentes espécies harmoniosamente distribuídas naqueles espaços. Tenho certeza que esses jardins inspirados, em parte no Renascimento, lá na Idade Média, não são apenas contemplativos. São também interativos. Não somente pelos elementos decorativos, mas pela perfeita integração com o elemento humano, silenciosamente abarcando sua aflição, possibilitando a reflexão e, em não poucos, o afloramento da fé, a certeza da cura.

           Ah! Quantas vezes vi chorar...também chorei contemplado suas espécies...                    Tantas vezes vi sorrir e também sorri ao trinado do Rouxinol, do Tico-tico-do-campo, do Sabiá-laranjeira ao alvorecer e entardecer.

        A dor continuava a pressionar o peito, mas naquele momento amainada pelos cheiros, pelos sons, pelas cores (mesmo para quem as vê somente com os olhos da percepção) elementos naturais desses paraísos chamados Jardins da Beneficência, a sensação de não estar sozinho(a), que minha dor, que meus problemas não são únicos.

          Nesse ambiente, fechar os olhos respirar, dar fôlego aos pulmões oxigenando todo o corpo com o ar, cuja qualidade foi melhorada pela ação da área verde, não tem como não sentir a paz que o contato com a natureza proporciona.

      Por isso, hoje, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), para chamar a atenção de todos os povos para os problemas ambientais e para a importância da preservação do meio em que e do qual vivemos, o convite à reflexão sobre a nossa necessária colaboração para  que pulmões verdes como os Jardins da Beneficência proliferem para que as futuras gerações possam respirar sem artifícios. (Noemi Macedo) Foto: Alexandre Neves