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BORGES NA BIBLIOTECA DA HUMANITÁRIA

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2022-08-19 -08:41

BORGES NA BIBLIOTECA DA HUMANITÁRIA

Ao final de "O Aleph", um de seus mais conhecidos relatos, Jorge Luis Borges conta que Pedro Henríquez Ureña descobriu em 1942 em uma biblioteca da cidade de Santos um manuscrito de Richard Burton, o famoso aventureiro, tradutor das mil e uma noites e cônsul britânico na cidade por volta de 1867. Que biblioteca terá sido essa? Essa pergunta é o ponto de partida de "Borges na biblioteca da Humanitária", um encontro marcado lá mesmo para a Biblioteca da Humanitária, no sábado, dia 20, a partir das 15 horas, para conversar sobre o amor do escritor argentino pelas bibliotecas. A conversa será conduzida pelo jornalista e mestre em História Social Alessandro Atanes, autor de "Esquinas do Mundo: Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos". A Humanitária fica na Praça José Bonifácio, 59.

A proposta é homenagear a biblioteca e a riqueza de seu acervo por meio do conto de Borges. "Henríquez Ureña foi um intelectual da América Central que percorreu o continente até o sul e talvez tenha passado mesmo por Santos antes dos portos da Bacia do Prata; Burton foi realmente cônsul por aqui e Borges escreve sobre esse episódio em um pós escrito isto é, algo apartado, fora da ficção, mas sabemos que com Borges tudo pode ser uma invenção, até mesmo uma zombaria, e que esse manuscrito provavelmente nunca tenha sido escrito". Um detalhe curioso é que a atividade vai ocorrer entre estantes vazias, já que os livros estão passando por um processo de higienização, uma oportunidade para refletir sobre a importância da manutenção do local em meio a notícias sobre o fechamento de centenas de bibliotecas em todo o país nos últimos anos.

*Santos na Literatura universal*

Na segunda parte do encontro, Atanes discorre sobre como o porto de Santos aparece em obras de grandes nomes da Literatura mundial. Entre livros de ficção, o ensaísta destaca os romances "O sonho do celta" (2010), de Mario Vargas Llosa, "O marinheiro que perdeu as graças do mar" (1963), de Yukio Mishima e "Trópico enamorado" (1971), de Augusto Céspedes, e o conto "O Horla" (1887), de Guy de Maupassant.

Na poesia, o destaque é para os poemas de viajantes que narram o desembarque no porto de Santos, como "Chegada a Santos" (1924),de Blaise Cendrars, "Chegada em Santos" (1951), de Elizabeth Bishop e "Santos revisitado: 1927-1967" (1967), de Pablo Neruda, além de "Contrabando" (1924), de Oswald de Andrade.

*O autor*

Alessandro Atanes pesquisa há mais de 20 anos poemas e livros de ficção como "fontes históricas" para a compreensão da sociedade, especificamente os textos que tratam do Porto de Santos. Além do "Esquinas do Mundo...", publicado por meio do Fundo de Cultura Municipal, o pesquisador está à frente dos cursos "Conheça Santos por meio da Literatura" e "História e Literatura na América Latina" e do SUR Clube de Literatura Latino-americana. Atua também como tradutor de poetas latino-americanos, principalmente nomes do Peru, publicados em edições bilíngues artesanais ou independentes tanto em Santos como em Lima. Seus textos têm sido publicados no blog Estante do Atanes (https://santaportal.com.br/blog/estante-do-atanes/) e no perfil Notas do Atanes do Instagram.

*Serviço*

Borges e a Biblioteca da Humanitária, bate-papo com o pesquisador Alessandro Atanes

 
Dia 20, sábado, às 15 horas
 
Gratuito
 
Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio de Santos
 
Praça José Bonifácio, 59, Centro de Santos
 
Crédito: Jeanice Ferreira
 
Fotos: Alessandro Atanes e um exemplar de O Aleph na Biblioteca da Humanitária